MOCHILAR DEPOIS DOS 30

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Resolvi escrever esse post depois que li uma matéria sobre mochileiras depois dos 60 (veja aqui) e comecei a refletir sobre os motivos que levam uma pessoa a fazer um mochilão depois de “mais experientes”.

Na matéria, a realidade de todas as mulheres entrevistadas era praticamente a mesma. Passaram a juventude entre os cuidados da família e o trabalho, então o motivo delas era a liberdade e a vontade de aproveitar bastante a vida agora que podem.

Os seus motivos podem ser esses também, ou uma vontade de superação, uma busca por autoconhecimento ou simplesmente porque você não está com muito dinheiro pra gastar, mas não quer deixar de viajar.

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Cheia de energia mochilando aos 20

Mas afinal, o que é ser um mochileiro?

Sendo bem genérica, mochilar engloba montar seu próprio roteiro (para que sua viagem seja bem flexível), se hospedar em hostels (o que te dá a oportunidade de conhecer pessoas bem distintas de você e socializar bastante), ter um perfil mais aventureiro e viver a viagem no estilo “deixa a vida me levar”, sem muitas amarras.

Ser mochileiro não é para todo mundo.

Eu já fiz dois grandes mochilões, um aos 22 e outro aos 31 anos, e posso garantir que foram completamente diferentes um do outro. Mesmo os dois sendo na Europa, que eu costumo dizer, ser o continente mais fácil para se começar a mochilar.

O resumo dessa disputa é basicamente: Flavia jovem x Flavia mulher

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Flavia jovem enchendo a cara na frente do Coliseu
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Flavia mulher priorizando a qualidade nas viagens

Diferenças entre ser mochileira aos 20 e aos 30

 

Quantidade x Qualidade

Já começa pela ansiedade juvenil de querer aproveitar o máximo de tudo, sem talvez tanta qualidade. Rs

Em 2008 eu conheci 17 países em 80 dias, o que dá uma média de 4 dias em cada país, o que é até razoável, já que tem gente que fica dois dias no máximo em cada país que visita.

Já em 2017, eu visitei 4 países em 30 dias (praticamente 1 semana em cada país). Ou seja, com a maturidade você investe mais em qualidade do que em quantidade.

Em 2019, eu evoluí ainda mais (risos): fiz 4 países em 50 dias!

Quartos compartilhados

Outra diferença e essa eu confesso que pra mim complicou, foi ficar em quartos compartilhados nos hostels. Uma pausa aqui para explicar que eu já trabalhei e morei por alguns anos em hostels no RJ e sou uma entusiasta desse formato de hospedagem. Já cheguei a morar em um quarto com 32 camas aonde a rotatividade de hóspedes era altíssima e no meu primeiro mochilão eu sempre reservava a cama no quarto mais barato disponível, ou seja, no quarto cheio de beliche.

Mas, quando os 30 anos chegam, o calo aperta. Você valoriza mais o conforto e aturar a galera chegando bêbada no quarto no meio da noite ou ter que levar a sacolinha com shampoo e sabonete pro banheiro toda vez que for tomar banho enchem um pouco o saco.

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Andandando de Havaianas por aí aos 20
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Toda arrumadinha para realizar o sonho de conhecer os Lagos Plitvice aos 30

Fazer amigos

Hoje, me sinto um pouco mais retraída quando acabo de chegar em um hostel. Fico mais tímida no início. Quando eu tinha vinte anos, não estava nem aí, e era só entrar alguém no quarto, que eu já puxava assunto. Talvez a explicação seja porque eu fiquei uns bons anos sem mochilar, aí perdi um pouco o costume. Não acho que seja assim pra todo mundo!

E vou te falar que nos último dois anos, fiz dois mochilões bem longos e já estou me sentindo mais solta. O bom é que tem sempre alguém atirado pra puxar conversa e aí você acaba indo no flow. Então, não se preocupe porque é muito difícil você não conhecer ninguém! Sempre falo que várias vezes eu quero um tempinho mais introspectivo, porém sempre aparece um amigo novo!

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Fazendo muitos amigos na viagem de 2008

As nossas tralhas

E o peso da mochila nessa coluna que me sustenta há anos? Bem complicado! Fora as sacolas que você acaba acumulando no caminho. No mochilão que fiz pela Europa em 2017, foi ainda pior, porque com 30 anos normalmente a gente tem mais dinheiro que aos 20, e eu resolvi me presentear bastante para compensar meus problemas amorosos. Risos.

Leia mais: CRÔNICA: FOI A RÚSSIA QUE ME SALVOU

Tive que comprar uma mala pequena para colocar as compras que não cabiam no meu mochilão. E meu último destino foi Dubrovnik, a cidade das escadarias. Imaginou a tensão né?

Tente não levar um mochilão ou mala muito pesados e dar uma segurada nas compras se já começou a sentir umas dores na lombar.

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Mas por que então mochilar aos 30 se tem algumas dificuldades?

Pra sacudir o coreto!! Pra mostrar pra você mesmo quem é que manda! Pra se desafiar e conhecer um monte de gente nova e inesperada. Pra deixar a vida te mostrar o caminho!

Eu gosto de viagens programadinhas também, com hotéis bacanas, carro alugado, mas de vez em quando eu preciso dessa agitação e incerteza. Principalmente quando estou passando por algum momento de caos.

Não foram coincidências que meus mochilões tenham acontecido logo depois de eu ter passado por experiências muito tristes. O primeiro, foi a morte do meu pai e a segunda o término inesperado de um relacionamento de 6 anos! Nesse último então, o mundo estava caindo na minha cabeça e eu estava no google pesquisando preço de passagem.

Eu estava com medo porque já tinha me desacostumado com essa rotina de albergues e liberdade, mas foi a melhor decisão que eu tomei. Abriu minha mente de novo, me reconectou com a minha essência, que estava vagando por aí e me fez voltar cheia de vida e esperança.

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Atomium – Bruxellas, aos 30

Conclusão

O que tiramos disso tudo é que pra mochilar não tem idade, e sim vontade! Você pode ter 20, 30 ou até 60 como na reportagem das senhorinhas mochileiras, o objetivo é sempre o mesmo: ser feliz!

Sobre como viajar nos faz feliz, eu já fiz um post sobre isso aqui.

E se você está precisando de coragem para fazer uma viagem sozinha, leia esse post.

Agora me conta aqui nos comentários a experiência de vocês mochilando por aí!

Beijos,

Flavia Goulart

Autor: Flavia Goulart

Flavia Goulart é carioca e ama viajar, principalmente sozinha. Desde nova sonhava em conhecer o mundo e transformou isso em um estilo de vida. Com 33 anos já conheceu 32 países e sua meta é continuar conhecendo lugares, culturas e pessoas.