CRÔNICA: UM ENCONTRO QUE ME FEZ ENXERGAR QUE EU MERECIA MAIS

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Eu tinha acabado de chegar em Kuala Lumpur, e como sempre acontece quando chego em um lugar novo, gosto de sair para fazer o reconhecimento da área em que estou hospedada. Vejo aonde tem mercadinho perto, se dá pra ir caminhando pro metrô e se tem comida boa por ali.

Mas assim que dei aquela descansada e estava me arrumando para sair, começou a cair o mundo lá fora. A chuva era muito forte e trovejava tão alto, que eu fiquei com medo. A sorte é que eu sempre ando com uns pacotes de biscoito na bolsa, porque eu já estava faminta.

A água parou de cair e eu decidi que era hora de me aventurar. Assim que virei a primeira esquina, dei de cara com uma Malásia pela qual eu não estava esperando.

Era noite e a área já não era muito convidativa. Tinham muitos homens na rua e só eu de mulher. Eles começaram a mexer comigo e a me olhar como se eu fosse um pedaço de carne. Fiquei muito assustada! Comprei uma comida e voltei correndo pro meu quarto no hostel.

No dia seguinte foi difícil sair pra passear. Eu, que já me sinto desafiada em um lugar novo, estava com um medo real de sair. Mas eu tomei coragem e fui!

As primeiras horas não foram nada fáceis! Eu simplesmente não conseguia me achar. A noite anterior abalou profundamente a minha confiança.

Depois, o dia acabou fluindo, porém eu continuava andando um pouco amedrontada.

Voltei pro hostel para descansar daquele dia difícil, tomei meu banho e deitei para assistir um seriado na Netflix. Estava bem introspectiva nesse dia e não queria papo com ninguém. O fone de ouvido seria a ferramenta perfeita para evitar qualquer tentativa de socialização.

Mas aí ele entrou no quarto, olhou pra mim, sentou na cama ao lado da minha e perguntou: “como foi o seu dia?”

O ele é um suíço que havia chegado também na noite anterior, um pouco depois de mim, e com quem eu havia trocado apenas boa noite. Daí a minha surpresa daquele cidadão chegar com tamanha intimidade interrompendo minha paz netflixiana.

Só que eu senti uma energia tão boa, que inconscientemente me sentei e respondi: “foi ótimo! Na verdade, começou meio ruim, mas depois acabei visitando uns lugares bem interessantes que valeram à pena.”

A partir daí foram mais umas três horas de conversa que fluíram como se a gente já se conhecesse. E só parou porque estava bem tarde e eu precisava fazer o meu post do Instagram do dia. Esse é o meu trabalho, né gente? Não interrompi uma conversa maravilhosa porque eu tinha que postar fotinho. Hahahaha

No papo rolou de tudo! Quanto tempo estávamos viajando, quais os próximos destinos, dicas de lugares, dicas de repelente, contei pra ele meus planos profissionais, ele me contou os dele e marcamos de passear juntos no dia seguinte.

Ah, e ele passou a ser meu novo seguidor no Instagram. 

Na manhã seguinte, fomos a um templo hindu bem famoso por lá, chamado Batu Caves. No metrô o papo parecia fluir tão bem quanto na noite anterior. Era assunto que não acabava mais e eu percebia que ele tinha muitas coisas parecidas comigo, principalmente sobre viagens.

Estava num ano sabático (ainda está enquanto escrevo esse post), ama viajar e já tinha conhecido as Maldivas (meu sonho de viagem).

A gente conversava como amigos, mas já dava pra sentir um certo clima no ar. Ele me fazia alguns elogios sutis do tipo “ah mas você está muito bonita” e nossos braços se encostavam muitas vezes.

Eu queria voltar pro hostel depois da visita ao templo, mas ele me convenceu a seguir em sua companhia pra ver uns lugares que eu nem sabia que existiam por lá. E ainda bem que ele fez isso, pois foi num parque super bonitinho que ele tinha nessa lista, que nos beijamos.

A companhia dele era incrível, os papos eram ótimos, mas o que mais me chamou atenção nele foi o quanto era carinhoso. Nunca tinha conhecido um homem tão afetuoso!

Bom, mas o dia seguinte era dia de transferência, por isso, dia de partir. Ele continuaria na cidade e depois seguiria para outros cantos da Malásia. Meu plano seguiria de volta para Tailândia e depois Laos, Vietnã e Camboja.

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Graças à tecnologia, continuamos a nos falar diariamente pelo Whats’App, até que ele decidiu mudar um pouco a sua rota para me encontrar quando eu estivesse em Bangkok, minha última parada na Ásia, antes de voltar para a realidade chamada Brasil.

Eu fiquei muito feliz e tive que controlar minha ansiedade para não deixar de valorizar todos os lugares que eu ainda visitaria, antes de ir para a capital da Tailândia.

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Previamente a essa minha aventura asiática, eu já tinha vivido um término sofrido e abrupto de um noivado e logo depois tinha me enfiado num relacionamento que não era beeem um relacionamento. Inclusive estava querendo me libertar deste último, porque apesar de não me fazer mal, estava me prendendo sem necessidade. Ali não se via disposição nem futuro e, era claro que eu estava me contentando com pouco. Mas às vezes é difícil se desapegar, né?

O nosso reencontro em Bangkok foi além de maravilhoso! Foram quatro dias incríveis que fecharam a minha viagem com chave de ouro!

E aí você pode estar pensando que eu estou dizendo tudo isso pois rolaram juras de amor e proposta de casamento. Pois não foi nada disso!

Aquele encontro ali serviu para eu enxergar que eu merecia mais. Mais carinho, mais atenção, mais parceria, mais planos. E era disso que eu estava precisando!

O Universo é muito inteligente: ele coloca no nosso caminho as pessoas certas para nos trazer alguma lição.

E aí eu voltei pro Brasil bem consciente, feliz com a minha solteirice e cheia de amor próprio! Além de claro, enriquecida por tudo que aprendi da cultura dos países que visitei.

Beijos,

Flavia Goulart

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Autor: Flavia Goulart

Flavia Goulart é carioca e ama viajar, principalmente sozinha. Desde nova sonhava em conhecer o mundo e transformou isso em um estilo de vida. Com 33 anos já conheceu 32 países e sua meta é continuar conhecendo lugares, culturas e pessoas.